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Furacão Catarina
 

Em 27 e 28 de março de 2004 o litoral Sul de Santa Catarina e municípios vizinhos do Rio Grande do Sul foram afetados por um fenômeno atmosférico atípico, o Furacão Catarina, que causou danos severos em diversos municípios catarinenses e gaúchos. Pelo ineditismo e complexidade do fenômeno, a classificação do Catarina gerou controvérsia na comunidade científica. Em 2005, pesquisadores reunidos no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em São José dos Campos (SP), concluíram que o Catarina foi um furacão, apesar de não ter apresentado características típicas durante o seu processo de formação. Foi, assim, o primeiro furacão a atingir o Atlântico Sul.

O fenômeno comportou-se como um ciclone extratropical em sua origem (dias 24 e 25); o Atlântico Sul é uma região propícia para formações e passagens destes sistemas. Mais tarde, o ciclone passou a apresentar uma forma circular, com um olho central bem definido, e começou a se deslocar em direção à costa brasileira (26 e 27/03), assumindo características de um furacão.

Na noite de 27 e madrugada de 28 de março, o Catarina atingiu a costa catarinense e gaúcha causando danos intensos, típicos de um furacão, em casas, galpões, estufas e postos de gasolina. Danificou a rede elétrica, o sistema de telefonia e as estradas. Destruiu plantações, derrubou árvores e arrancou outras pela raiz, assim como matou e desorientou pássaros e outros animais. Pela intensidade dos danos, foi classificado como sendo de classe 2 na escala Saffir-Simpson devido à grande quantidade de edificações danificadas e destruídas, que confirmam que a velocidade dos ventos e suas rajadas pode ter atingido 180 km/h (força 14).

De acordo com o Departamento Estadual de Defesa Civil de Santa Catarina (DEDC/SC), ao todo, 20 municípios catarinenses decretaram situação de emergência e os prejuízos econômicos foram superiores a R$ 850 milhões. A passagem do furacão deixou 11 vítimas fatais, sendo 10 pescadores e um motorista que foi atingido pela queda de uma árvore. Foram registrados 518 feridos e 33.165 desabrigados. O número de atingidos, desde as pessoas que tiveram que sair de suas casas até as que sofreram todo tipo de danos, foi de 1 milhão de pessoas, de acordo com a Defesa Civil.

Entretanto, como o fenômeno foi monitorado desde sua formação, o trabalho preventivo feito desde então pelo Departamento Estadual de Defesa Civil de Santa Catarina, após o alerta do Ciram/Epagri, diminuiu muito o número de desabrigados e vítimas, já que foram transmitidos alertas e recomendações sobre o que fazer antes, durante e depois da passagem do fenômeno.

Os municípios mais atingidos em Santa Catarina foram Araranguá, Balneário Arroio do Silva, Balneário Gaivota, Passo de Torres, Santa Rosa do Sul e Sombrio. No total, 40.012 edificações foram afetadas, 26,05% das existentes na área.



Fontes: Atlas de Desastres Naturais do Estado de Santa Catarina; Revista da Defesa Civil Santa Catarina, março de 2005; sites do Departamento Estadual de Defesa Civil e do Ciram/Epagri.

 
 
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